Peregrinações Artísticas

TRAJETÓRIA: DAS ORIGENS À CENA INDEPENDENTE

Começo em Florianópolis e o boom do rock local

• Fábio Della emergiu na cena musical de Florianópolis, onde integrou o grupo Aerocirco, banda de rock alternativo que marcou a cena independente da capital catarinense.
• Discografia da Aerocirco: Aerocirco (2003), O Som das Paredes (2005), Liquidificador (2007) e Invisivelmente (2010).
• A Aerocirco ficou conhecida por misturar influências de indie rock internacional com sensibilidade própria, letras entre amor e introspecção, sempre com pegada honesta e direta.
• A banda foi importante na cena local, influenciando outras bandas catarinenses e abrindo espaço para o rock autoral fora do eixo tradicional.

Mudança para Minas Gerais e novos projetos

• Em 2010, após anos de estrada com o Aerocirco, Fábio se mudou para Belo Horizonte — um recomeço que não trouxe pausa na criação.
• Em Minas, envolveu-se em diferentes projetos, incluindo a banda Monocine, na qual é vocalista, guitarrista e compositor.
• Discografia da Monocine: o álbum Tão Deserto Quanto Eu (2015) e o EP Não Mexa Com a Gente (2017), posteriormente remixado e remasterizado em 2018.
• Com esses projetos, Della ampliou sua expressão artística, explorando arranjos, atmosferas e composições autorais com mais maturidade, sem perder a honestidade estética.

CARREIRA SOLO E REVISITAÇÕES — INTROSPECÇÃO, NOVO OLHAR, NOVAS FORMAS

• Em 2018 lançou Re-Uni, álbum com releituras de canções de fases anteriores (Aerocirco, Della/Peixoto, Monocine) em sonoridade folk/acústica.
• Em 2020 lançou Re-Uni 2, com 13 faixas, novos arranjos e participação de diversos músicos convidados, numa estética folk/country intimista.
• Em 2022 lançou Minha Casa É Doce, seu primeiro disco solo de inéditas, composto durante a pandemia — um trabalho introspectivo, cru e pessoal, que fala de lar, identidade e jornada emocional.
• Em 2025 revisitou o disco Minha Casa É Doce, criando novas versões, arranjos e singles como Normalissíssimo e Sujeito de Pouca Sorte, reafirmando sua constante busca por reinvenção.

PRODUÇÃO, ESTÚDIO E SUPORTE A OUTROS ARTISTAS

• Em Belo Horizonte comanda seu estúdio próprio, o Dmob Music Studios, espaço de produção, gravação, mixagem e masterização, onde também apoia novos artistas.
• Produziu para bandas como Stella Folks, ajudando a lançar carreiras e fortalecer a cena autoral.
• Seu papel como mentor, produtor e articulador amplia seu impacto: além de artista, é agente ativo no desenvolvimento da cena independente.

ESTILO, LEGADO E COERÊNCIA ARTÍSTICA

• Sua trajetória revela inquietude criativa e coerência: do rock alternativo da Aerocirco ao rock mineiro da Monocine, passando pelas releituras folk da fase Re-Uni e pelas canções intimistas de Minha Casa É Doce.
• Nunca tratou sua música como produto, mas como expressão, memória e diálogo entre passado e presente. Suas regravações não são nostalgia, mas reinvenção.
• Como produtor e dono de estúdio, representa a autonomia artística: cria, grava, produz, lança e compartilha — exemplo de independência e autenticidade.

LINHA DO TEMPO RESUMIDA

2001 — Formação do Aerocirco, início da trajetória profissional.
2003 — Lançamento do primeiro álbum Aerocirco.
2005 — Álbum O Som das Paredes (Aerocirco).
2007 — Álbum Liquidificador (Aerocirco).
2010 — Álbum Invisivelmente (Aerocirco) e mudança para Belo Horizonte.
2015 — Lançamento de Tão Deserto Quanto Eu (Monocine).
2017 — Lançamento do EP Não Mexa Com a Gente (Monocine).
2018 — Álbum solo Re-Uni.
2019 — Apresentações solo e versão ao vivo de Re-Uni em Florianópolis.
2020 — Lançamento de Re-Uni 2.
2022 — Lançamento de Minha Casa É Doce (inéditas).
2025 — Novas versões e regravações de Minha Casa É Doce, com singles e arranjos atualizados.

O QUE TORNA A HISTÓRIA DE FÁBIO DELLA ESPECIAL

• Une raiz e reinvenção: vem do rock independente de Florianópolis, amadurece em Minas e percorre múltiplas fases sem perder autenticidade.
• Atua como artista completo: compõe, grava, toca, produz e dirige seu próprio estúdio, contribuindo para a cena.
• Utiliza o passado como matéria-prima, transformando repertórios em novas versões e novos sentidos.
• Representa o espírito da cena independente: liberdade criativa, autonomia e verdade artística.

O Que Vem Agora?

Uma crônica musical para tempos de estranha normalidade

Deixe-me que vos conduzam por entre os meandros de uma questão que há tempos me inquieta: o que é, afinal, o normal? Pois bem, eis que surge, das entranhas criativas deste vosso cronista musical, uma resposta em forma de canção. No dia 28 de agosto do ano da graça de 2025, nascerá entre nós NORMALISSÍSSIMO — obra que ousa ser wave quando poderia ser samba, que flerta com Cuba quando nasceu brasileira, que abre alas não para o carnaval, mas para as dúvidas mais profundas da alma humana.

Pergunto-vos: se nas entranhas da normalidade nada se encontra de substancial, por que razão os espíritos quadrados se inquietam tanto com a pantera rosa? Ah, meus caros, eis aí o eterno dilema entre os excessos e as faltas, entre o ser e o parecer que tanto atormentou nossos clássicos — e que agora retorna em forma melódica para nos atormentar deliciosamente.

Mas não para por aí a nossa jornada. Uma semana após, precisamente no dia 4 de setembro, receberemos entre nós a história melancólica de um SUJEITO DE POUCA SORTE. Trataremos aqui daquele tipo humano que, de tanto trair suas mulheres, de tanto acumular segredos e desvios morais, acaba por questionar-se se foi mesmo ele quem ganhou o jogo da vida. Para ela, o amor sempre foi questão de sorte; para ele, o jogo sempre deu azar. Ironia do destino ou justiça poética? Deixo a resposta ao critério de vossas consciências.

Estas duas criaturas musicais chegarão aos vossos ouvidos como singles — aves solitárias que voam antes do bando. Mas suas irmãs virão em conjunto, num grande álbum que guarda uma história deveras curiosa, e que me proponho a vos narrar.

A Dupla Face de uma Casa Doce

Estamos falando de um disco batizado MINHA CASA É DOCE, mas que, pela sua peculiar construção, poderíamos dizer que são duas casas — ou melhor, a mesma casa vista em épocas distintas, como aqueles retratos que revelam a passagem inexorável do tempo sobre as fisionomias humanas.

Entre os anos de 2019 e 2021, este álbum foi completamente gravado, pronto para enfrentar o mundo. Mas eis que, quando tudo estava preparado para o lançamento, a pandemia — essa visitante indesejada que tão bem conhecemos — obrigou-o ao silêncio das gavetas. Não por capricho, mas por força daquela energia sombria que se apoderou de nós todos naqueles dias.

Entre 2024 e 2025, o mesmo trabalho ressurgiu das cinzas, totalmente regravado, carregando consigo não apenas as canções originais, mas toda a experiência de quem atravessou a tempestade. Nasceu assim uma dupla singular: MINHA CASA É DOCE 19-21 e MINHA CASA É DOCE 24-25 — mesmo repertório, visões diferentes de mundo, como se fossem o mesmo homem antes e depois de uma grande desilusão amorosa.

O Convite ao Mergulho

Após esta introdução, que espero não vos tenha enfastiadio demasiadamente, o que vos peço, benevolentes leitores, é vossa atenção, vossa curiosidade, vossa vontade genuína de conhecer um mundo novo. É através desta música que vos levaremos ao mais íntimo mergulho nas verdades que muitas vezes nem sabíamos que ali estavam, escondidas nos recantos mais secretos da alma.

Apresento-vos, pois, esta família musical: NORMALISSÍSSIMO, SUJEITO DE POUCA SORTE, MINHA CASA É DOCE 19-21 e MINHA CASA É DOCE 24-25. Que elas vos acompanhem nas horas de reflexão e vos ofereçam o que a boa música sempre ofereceu aos homens de bom gosto: um espelho onde nos reconhecemos, ainda que não gostemos sempre do que vemos.

de quem vos escreve,
Um Ser Normalissíssimo

P.S. — Se algum leitor, movido pela curiosidade ou pelo tédio, quiser saber mais sobre estas criações, que não hesite em procurar-nos. A música, como a literatura, só existe verdadeiramente quando encontra quem a compreenda.

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